Africanizar a Psicologia Social

Mestre Joao Pequeno de Pastinha, 93 anos, o capoeirista mais velho vivo no mundo.

A ideia central deste Blog é divulgar experiencias, eventos, reflexões e o que mais possa interessar sobre cultura, educação, política, academia e artes de raiz africana e suas possíveis relações com a Psicologia Social. Como autora do Blog busco evidenciar a contribuição que o pensamento e a experiência de raiz africana no mundo têm para oferecer à Psicologia Social, por isto a proposta de africanizar a Psicologia Social.

Me africanizei e continuo me africanizando na prática da capoeira angola, uma escola que forma cidadãos decentes e conscientes sobre a realidade brasileira e mundial. Nada melhor que trazer a imagem do Mestre João Pequeno de Pastinha como Abre Alas desta iniciativa, já que ele com seus 93 anos de idade é o capoeirista mais velho vivo e na ativa no mundo. Salve Mestre João Pequeno! Salve Mestre Pastinha! Peço sua licença e sua benção para começar este trabalho. Que Deus me dê força e ilumine minhas palavras para transmitir uma boa contribuição.

Quem se interessar e quiser acompanhar as matérias pode se inscrever no Blog e receberá uma notificação por email toda vez que houver uma nova postagem. Precisa fazer um comentário para aparecer a inscrição.

Vocês também podem escrever comentários, sugestões e críticas em cada postagem. São muito bem vindos!!!!

Vamos Aprender e Celebrar a KWANZAA

Celebração da Kwanzaa em St. Louis.

Eu participei junto com o CECA – St. Louis de uma celebração da Kwanzaa no início de dezembro e uma das mensagens que fora passadas era: quando você pensar em Kwanza você tem que pensar 7, pois são 7 valores, celebrados em 7 dias e com 7 símbolos.

Kwanzaa é um período festivo da cultura afro-americana. A celebração da Kwanzaa é centrada em dois grandes temas. Um tema é a celebração por meio da cultura e da herança afro-americana os “primeiros frutos” com os quais fomos abençoados. O segundo tema é dos valores – o que deveríamos valorizar e porque. Em 1966, Dr. Maulana Karenga estabeleceu um sistema de valores que afro-americanos poderiam utilizar para viver. O sistema de valores não seria baseado em religião (mas há uma linha espiritual que perpassa-o), sexo, status social, classe ou qualquer outra coisa que tradicionalmente tem nos dividido enquanto povo. Dessa maneira, este sistema de valores era para ser adotado independentemente de religião, sexo, status social e classe porque ele queria unir o povo afro-americano apesar das diferenças superficiais.

Velas que representam os princípios celebrados na Kwanzaa.

O NGUZO SABA (Sete Princípios)

Depois de estudar a cultura de diferentes tribos do oeste africano e os valores que os mantinham juntos como um povo, Dr. Karenga desenvolveu os sete princípios da Kwanzaa. Estes não são princípios novos, eles foram simplesmente colocados de forma a facilitar o entendimento e a prática dos princípios pelos afro-americanos. Estes sete princípios estavam em conexão com os sete dias, de 26 de dezembro até 01 de janeiro, nos quais cada um destes princípios seriam destacados. Os sete princípios estão referidos como NGUZO SABA em Swahili e são os seguintes:

  1. UMOJA – unidade – lutar por e manter a unidade na família, na comunidade, na nação e na raça.
  2. KUJICHAGULIA – auto-determinação – para nos definirmos a nós mesmos, nos nomearmos, nos criarmos, e falarmos por nós mesmo, ao invés de sermos definidos, nomeados, criados por ou descritos pelo outros.
  3. UJIMA – trabalho coletivo e responsabilidade – construir e manter nossa comunidade junta e fazer dos problemas de nossos irmãos e irmãos nossos próprios problemas e resolvê-los juntos.
  4. UJAMAA – economia cooperativa – construir e manter nossas próprias lojas, comércios e outros negócios juntos e lucrarmos com eles juntos.
  5. NIA – propósito – fazer como nossa vocação coletiva a construção e desenvolvimento de nossa comunidade como forma de restaurar  em nossa comunidade sua grandeza tradicional.
  6. KUUMBA – criatividade – fazer sempre tanto quanto nos for possível no sentido de deixar nossa comunidade cada vez mais bonita e benéfica do que quando a herdamos.
  7. IMANI – fé – acreditar com todo nosso coração em nossos parentes, professores, líderes e povo e na retidão e vitória de nossa luta/esforço.

Os sete símbolos

Um símbolo é algo que significa alguma coisa. Dr. Karenga reconheceu quão importante os símbolos são e incluiu sete símbolos para se juntar com os sete princípios da Kwanzaa. Os símbolos que eles escolheu, claro, significam ou refletem algumas idéias que vão nos ajudar a crescer culturalmente. Os sete símbolos são:

  1. MKEKA – esteira de palha – simboliza os fundamentos das nossas tradições e história africana.
  2. KINARA – suporte de velas – simboliza as raízes de nossas origens.
  3. MISHUMAA SABA – sete velas – simboliza os sete princípios.
  4. MUHINDI – espigas de milho – simboliza os dons preciosos de nossas crianças; há um proveio africano que diz: “crianças são a recompensa da vida”.
  5. ZAWADI – presentes – simboliza a recompensa das ações corretas e do trabalho conjunto.
  6. MAZAO – colheitas – representa os frutos do nosso trabalho; em outras palavras, o resultado do nosso trabalho duro.
  7. KIKOMBE CHA UMOJA – Copo união – a unidade de nosso propósito como povo.

Familia celebrando KWANZAA.

VAMOS CELEBRAR A KWANZAA NÃO SÓ EM DEZEMBRO, MAS EM TODOS OS DIAS DE NOSSAS VIDAS!

TIGER FLOWERS – primeiro negro peso médio nos EUA

Assisti a palestra “Atlanta’s great Black Hope: the Tiger Flowers story community”. Era sobre a história deste grande boxel negro chamado Tiger Flowers.   

Tiger Flowers foi o primeiro africano-americano a ganhar o campeonato de boxe dos pesos médios nos EUA. Os registros não são muito precisos, mas ele nasceu por volta de 1895 a 1897 em Atlanta e morreu em 1927. Ou seja, ele morreu com 30 a 34 anos. Apesar de morrer tão jovem ele foi um grande homem na história desta cidade e na do boxe nos EUA. Vejam só!

Tiger Flowers começou o boxe profissional em 1918 enquanto trabalhava na construção naval na Philadelphia. Sua carreira foi brilhante e memorável. Em 9 anos ele participou de 160, das quais ele ganhou 136 e perdeu 24. Sendo que algumas vezes ele lutou duas vezes num mesmo dia e ganhou as duas lutas. Incrível desempenho!

Além de ser um excelente boxel, praticamente invencível no auge da sua carreira, ele era considerado um grande homem, pois reunia muitas qualidades admiráveis em seu tempo, tanto por negros quanto por brancos. Era vegetariano, cristão, não bebia, não fumava.

A grandeza de Tiger Flowers fica ainda mais evidente quando refletimos sobre o contexto sócio-histórico de sua época. Na virada do século XIX para o XX, negros estudavam em escolas segregadas, em sua maioria as famílias negras empobrecidas e viviam em bairros segregados dos brancos. Mesmo no boxe, negros não podiam lutar com brancos. Existia a Ku Kux Klan perseguindo e massacrando a população negra.

Com as lutas Tiger Flowers tornou-se muito, muito, muito rico para qualquer homem de seu tempo. Ao final de seus nove anos de atividade no boxe ele tinha várias fazendas de pêssego, 10 casas, diversos carros, andava com motorista, etc. Mesmo com toda essa riqueza, Tiger escolheu permanecer morando no bairro negro e empobrecido em que nasceu. Construiu uma casa gigantesca com mais de 20 quartos, a qual ficava aberta para toda a comunidade de seu bairro. Ele investiu dinheiro em diversas escolas, universidades e instituições sociais de Atlanta, contribuindo para o desenvolvimento da cidade.

Apesar de seu enorme prestígio junto a comunidade, a mídia, quando descrevia suas conquistas, o fazia desqualificando o seu valor. Ele morreu por negligencia médica no hospital quando foi fazer uma cirurgia para tirar uma cicatriz do olho, um procedimento simples. Seu funeral foi em sua casa, mais de 50.000 pessoas foram se despedir dele. Foi o maior funeral da história de Atlanta até o funeral de Martin Luther King. Nessa época, até os funerais eram segregados, os brancos ficaram na marquise e os negros no térreo.

Leila Lopes – Miss Universo 2011 é de Angola

Sorridente e recebida com aplausos, Leila Lopes falou com a imprensa após ser coroada Miss Universo 2011, na noite da segunda-feira (12), em São Paulo. Simpática, a angolana conquistou os brasileiros e ainda desbancou as favoritas ao título, levando a melhor entre outras 88 candidatas. Miss Angola é a vencedora do Miss Universo 2011; brasileira fica em terceiro lugar.

Minutos após o término do Miss Universo, a miss – que não é a primeira negra africana a vencer o concurso – retornou ao palco da casa de shows Credicard Hall para responder a perguntas de jornalistas de vários países. Já coroada, Leila aproveitou o encontro para comentar os casos de racismo pelo mundo.

– O racismo não me atinge. Os racistas deveriam procurar ajuda e se tratar. Não é possível que em pleno século 21 ainda existam pessoas que pensem desta forma.

Natural de Benguela, Leila, 25 anos, afirmou que pretende usar o “cargo” de miss para ajudar sua terra natal.

– Como miss Angola, já apoiava causas sociais, a luta contra o HIV e os cuidados com idosos. Agora, espero poder fazer muito mais por meu país.

Emocionada, Leila finalizou:

– Angola, muito obrigada pela torcida e por ter acreditado em mim.

Histórico

A primeira miss Universo negra foi Janelle Commissiong, de Trinidad e Tobago, eleita em 1977. Curiosamente, no ano seguinte, Janelle passou a faixa para uma miss Universo africana. A beldade – uma loira – se chama Margareth Gardiner e representou a África do Sul no concurso. A primeira africana negra a usar a coroa de Miss Universo foi Mpule Kwelagobe, vinda de Botsuana. Ela foi coroada em 1999.

Fonte: R7 Entretenimento

CONFERÊNCIA DO VALE DO NILO – Setembro de 2011 em Atlanta/EUA

CONFERÊNCIA DO VALE DO NILO – Do Nilo para o Niger e para o Mississippi.    Em comemoração ao espírito e vida de Dr. Asa Hilliard III (Nana Baffour Amankwatia II)                                                                                                                     De 20 a 24 setembro de 2011 em Atlanta – GA – USA

O comitê organizador da II Conferência do Vale do Nilo: do Nile para o Niger e para o Mississippi convita você para se juntar a nós em Atlanta. Nossos acadêmicos irão mostrar as mais recentes pesquisas e informações sobre a rica contribuição da civilização do Vale do Nilo – a civilização clássica mais antiga na história do mundo. Acadêmicos notáveis como Theophile Obenga, Louise Diop-Maes, Charles Finch, Robert Schoch, Kinathi Carr e Anthony Browder são alguns exemplos dos que estarão presentes. Eles detalharão as mais recentes informações transformadoras da forma como vemos a história da África antiga e, certamente, do mundo da antiguidade. Esta ocasião memorável será incomensuravelmente enriquecida pelos palestrantes que discutirão os manuscritos Timbuktu, de mais de 1.000 anos atrás, que têm ressurgido na última década e meia e que estão suprindo o mundo com as páginas que faltam da história do mundo – revelações dos segredos do Vale do Nilo.

Mais informações sobre esta grande conferência no link

http://www.thenilevalleyconference.org/index.html

O que acham desse evento?

Southern hospitality – A Hospitalidade do Sul dos EUA

Primeiro de tudo, preciso dizer que fiquei positivamente impressionada com a população de Atlanta. Já haviam me dito que tinha muitos negros/as aqui, mas não são muitos. É a grande maioria mesmo. É como estar em Salvador! No metrô nem se fala, são raras as pessoas brancas. Depois escrevo mais sobre isto. Mas esta informação é importante para entender o que segue.

Um boa impressão que tive de Atlanta foi a sua “Southern Hospitality”. Shayna, uma amiga estadunidense que mora em Salvador, me disse que o Sul dos EUA é conhecido por ser hospitaleiro. Muito legal mesmo. E aqui tem similaridades com Salvador também, mas de uma forma mais forte, mais esponea, não sei definir ao certo, mas um pouco diferente.

Enquanto se anda nas ruas ou entra no metrô, se você olha para uma pessoa normalmente ela te cumprimenta perguntando: “how are you doing?”. É tão natural que acontece quando você cruza com outra pessoa na calçada, quando entra em algum lugar, quando vai ser atendido, em qualquer lugar e momento.

As duas vezes mais engraçadas foram em estacionamentos. Eu estava saindo de algum lugar andando pelos carros e aí, é natural, você vê um movimento e olha. Nas duas vezes, a pessoa no movimento de abrir a porta e sair do carro te vê e diz “how are you doing?”. Numa dessas vezes a pessoa estava sentada no carro com a porta aberta e enquanto eu passava ela estava puxando aquela escarrada da garganta. No meio do processo, antes de cuspir, ele olhou para mim e disse com a boca cheia: “How are you doing?”. Respondi e segui em frente. Aí ficou aquele tempo sinistro, eu andando e só esperando o barulho da cuspida, e o cara, de certo meio sem graça, esperou um pouco para cuspir. Depois de uns 15 longos segundos eu ouvi a cuspida. Kkkkk. Fiquei rindo sozinha!

Mas diga aí! A hospitalidade, a cordialidade do povo de Atlanta é tão natural, é tão espontânea, que o cara cumprimenta a outra pessoa até no meio de uma escarrada. Só porque a pessoa olhou para ele.

Estou adorando esta cordialidade. Realmente a gente se sente muito bem na cidade. Eu que sou de fora deste país, fico mais tranqüila para perguntar informações, para ir em alguma loja e comprar alguma coisa mesmo que meu inglês ainda não esteja muito bom. Fico com a sensação de que provavelmente a pessoa terá paciência quando já tem este costume hospitaleiro. Alem do mais, é sempre bom saber que está sendo vista, que você existe para o outro. Quando alguém te cumprimenta está abrindo um canal de comunicação e avalio que o canal de comunicação aqui é bom, pois o cumprimento é uma pergunta “how are you doing?”. Creio que tem diferença quando você diz apenas “Hi” e quando você pergunta como ela pessoa está. Quando diz um “olá”, você sinaliza que viu a pessoa, mas é uma comunicação mais fechada, não está necessariamente abrindo um diálogo. Agora, quando a pessoa lhe cumprimenta fazendo uma pergunta, por mais espontâneo, natural ou automático que isto seja, pressupõe uma resposta, pressupõe o diálogo.

Acho que podemos encontrar similar hospitalidade em Salvador, no nordeste em geral, em Minas Gerais e arrisco dizer que ela está muito relacionada à forma africana de ser, pois são regiões com muitos afro-descendentes. O que vocês acham?